Como Funciona a
Propagação

Autor: Cesar Augusto
de C. Rodrigues - PY2YP
Introdução
O objetivo deste
texto é suprir os radioamadores tanto novatos quanto os mais
experientes mas que nunca se detiveram a entender os mistérios das
propagações. Ou mesmo, entender porque algumas regiões do mundo nunca
chegam forte como por exemplo: México, Austrália ou Portugal. Ou então
porque as estações do Oceano Índico chegam bem nas bandas baixas mas
têm sinais fracos ou são inaudíveis em 10 metros por exemplo.
O texto foi escrito
abrangendo apenas os conceitos básicos e não tem, nem de longe, a
menor pretensão de aprofundar no assunto. Antes, mal arranha a
superfície deste fantástico estudo do fenômeno da propagação, tendo
simplesmente a intenção de despertar o interesse de quem o leia.
Se for este o seu
caso e tiver a facilidade de ler em inglês, baixe o arquivo prop101.chm,
escrito por Robert R. Brown, NM7M, que irá definitivamente esclarecer
todas as suas dúvidas.
Ionização

Para entender o
fenômeno da propagação das ondas eletro-magnéticas no espectro de HF,
isto é, entre 3 e 30 MHz é preciso entender como é constituída a
ionosfera.
O Sol emite energia
em comprimentos de onda tais que vão desde as ondas de rádio, até os
raios gama. A luz visível varia de 400 a 700 nanômetros (1 nm = 1E-9
metro), porém nesta faixa do espectro utiliza-se como unidade de
medida de comprimento o Angstron, representado pela letra A, e que
vale 1E-8 centímetro, isto é 1 Angstron é igual a 10 nanômetros.
Apenas para ilustrar, podemos dizer que a freqüência da luz é da ordem
de 1E+14 Hz, ou seja 1 bilhão de vezes maior do que a faixa de 20
metros, que bem conhecemos.
Para o estudo da
propagação nos interessa apenas a faixa do espectro abaixo da luz
visível, EUV, extreme ultraviolet e o espectro de raio X. É
interessante notar que a energia situada neste espectro de interesse
representa apenas 0,001% (um milésimo por cento) da energia total
recebida e, como veremos a seguir, é a energia responsável pela
formação da ionosfera.
Ainda antes de
iniciarmos será importante relembrar o conceito de que para ionizar ou
dissociar os elementos constituintes da ionosfera, sejam eles átomos
ou moléculas, a energia necessária será maior ou igual à energia
potencial de ionização, no caso dos átomos, ou de ligação
(associação), no caso das moléculas.
A unidade de medida
correta para estes casos é o eletron volt, que é usado em substituição
ao Joule, do sistema MKS. Define-se eletron-volt, representado por eV,
como sendo a energia adquirida por um elétron quando acelerado através
de uma diferença de potencial de 1 Volt, ou seja, é igual a carga Q
(1,6E-19 Coulomb) multiplicado pela diferença de potencial V, assim, 1
eV = 1,6E-19 Joule.
A ionosfera, como se
vê na figura acima, é constituída de oxigênio molecular e óxido
nítrico, na região E, e átomos de oxigênio na região F. A energia
necessária para ionizar ou dissociar o hidrogênio, o mais simples dos
átomos, é de 13,6 eV e para dissociar as partículas diatômicas, como o
óxido nítrico, NO, são necessários 9,5 eV.
O que nos interessa
na verdade é saber qual o comprimento de onda da energia emitida pelo
Sol, que promoverá a dissociação e ionização dos elementos da
ionosfera e, sobretudo, quando ela ocorre.
A lei de Planck diz
que a energia de um fóton é o produto da constante de Planck, k =
6,6E-34 J*s, pela sua freqüência expressa em Hertz, Hz. Assim, o
comprimento de onda necessário para a ionização ou dissociação será da
ordem de 1000A (um mil Angstrons), ou seja quaisquer eventos solares
que produzam grandes quantidades de energia nesse comprimento de onda,
ou menor do que ele, com freqüência mais alta portanto, haverá
ionização suficiente para refletir os nossos sinais de rádio.
Em um dia calmo, sem
distúrbios, com K e A baixos, o Sol emite EUV (extreme ultra-violet),
que está no comprimento de onda de 1000 A, e também raios X e gama,
que estão na faixa de 100 a 10 Angstrons, porém em quantidades
insuficientes para produzir elétrons em quantidade tal que permita a
reflexão das bandas altas. Para que ocorra a ionização em quantidades
aceitáveis será necessário que hajam fatos geradores que possibilitem
a emissão de energia nos comprimentos de onda adequados.
Devido ao seu enorme
tamanho e intensa atividade interior, algumas regiões das camadas
altas do Sol, isto é, mais próximas à sua superfície, resfriam-se de
maneira não uniforme, além disso, o comportamento mecânico do Sol,
para fins de entendimento, obedecem às leis da mecânica dos fluidos.
Isto faz com que a parte interna dessas regiões, de resfriamento mais
rápido, passe a funcionar como coletor ao passo que as regiões a elas
adjacentes passem a trabalhar como estatores. Os distúrbios
gravitacionais atuam nessas regiões mais frias, e mais densas
portanto, formando vórtices que acabam ao final atuando como um
gigantesco dínamo que produz energia eletromagnética de grande
magnitude. Parte dessa energia produzida fica armazenada sob forma de
energia potencial até que haja o rompimento do equilíbrio das forças
atuantes, provocando súbitos e intensos jatos energéticos com radiação
abrangendo todo o espectro eletromagnético mas com preponderância nos
comprimentos de onda menores do que 1000 Angstron.
A essas regiões de
resfriamento anômalo dá-se o nome de manchas solares e a quantidade de
manchas obedece a um ciclo de aproximadamente 11 anos, conhecido como
ciclo solar ou ciclo da atividade solar. Assim, quanto maior for a
atividade solar maior será a ionização e melhores serão as condições
de propagação. Porém, é necessário lembrar que há um custo para a
maior atividade solar, e este custo está representado pelas condições
adversas, isto é, tempestades de radiação solar, tempestades
geomagnéticas e bloqueios das ondas de rádio, conforme está detalhado
nas outras páginas sobre os índices solares e sobre as manchas e
labawhiteas solares.
Para medir o nível de
atividade solar pode-se contar o número de manchas solares e calcular
o assim chamado fluxo solar, através da expressão: SFI = 63,75 + 0,728
N + 0,00089 N², onde N = média do número mensal de manchas solares, ou
através da medição do fluxo do ruído solar no comprimento de onda de
10,7 cm. Vale lembrar que a energia medida neste comprimento de onda é
da ordem de 1,1E-5 eV e portanto incapaz de ionizar qualquer coisa. Os
valores obtidos nessa freqüência indicam apenas e tão somente o nível
de atividade solar e através de valores relativos; é importante não
confundir atividade com nível energético. No entanto, este comprimento
de onda foi escolhido para medir a atividade solar porque a atmosfera
é transparente para a radiação nesta faixa.
Para medir o nível
energético capaz de promover a ionização a melhor escolha é medir o
fluxo de raios X, que estão no comprimento de onda entre 1 e 8
Angstrons, que produzem energia da ordem de 10 eV. Porém esta medição,
devido as absorções da atmosfera só pode ser feita com a precisão
exigida nos satélites de órbitas muito altas.
Após a passagem do
pico do ciclo solar, quando as condições de propagação começam a
diminuir, os radioamadores sempre se perguntam quando o ciclo atingirá
o ponto de mínima atividade solar. Para responder a esta importante
questão pode-se usar uma fórmula empírica, mas que têm dado resultados
práticos. O ponto de mínima do ciclo solar se dá aos 34 meses do
primeiro dia de atividade zero após o ponto de máxima. Ou seja, se
considerarmos que o pico do ciclo se deu no final do ano 2000, e que o
primeiro dia de atividade nula (zero mancha) foi no dia 28 de janeiro
de 2004 então o ponto de mínima atividade será ao whiteor de novembro
ou dezembro de 2006. O ponto de máxima costuma ocorrer 4 anos após o
ponto de mínima, logo o próximo pico será em 2010.
Variação
da ionização
Os elétrons recém libertados da órbita
dos seus átomos não ficam soltos por muito tempo, nem tampouco os
elementos dissociados ficam solteiros por muito tempo. Há uma
constante troca de elementos lá em cima, os elétrons tendem a se
recombinar com os íons positivos para formar átomos eletricamente
neutros ou moléculas novamente. Assim, se a energia recebida formar
mais elétrons do que estes possam ser recombinados haverá um ganho na
ionização, se for o contrário haverá decréscimo no nível de ionização.

Na verdade o nível de
ionização é desgraçadamente muito pequeno, mesmo nas melhores
condições, existe, via de regra, 1 elétron, ou 1 íon positivo, para
cada 1 milhão de partículas neutras. Assim, estaticamente falando, as
chances do elétron solto se recombinar é muito grande, ou seja, se o
fluxo energético não for grande a ionização cai rapidamente. Por
sorte, quanto mais alta for a região da ionosfera, maior será a
energia recebida e menor será a densidade de partículas neutras.
Por outro lado, o
eixo que passa pelos pólos, funciona, eletromagneticamente falando,
como um dipolo, assim, nos pólos as linhas de fluxo do campo magnético
da Terra, nas regiões polares apresenta uma feição "descabelada", como
se pode ver na figura ao acima.
Obviamente essas
linhas de fluxo impedem a passagem das ondas eletromagnéticas, o que
explica porque a propagação entre os PY2 e os VK é sempre muito
difícil. Os sinais entre PY2 e ZL costumam ser fortes em qualquer
freqüência mas a Austrália é quase sempre impossível, sobretudo nas
freqüências mais baixas.
Quando a atividade
geomagnética está intensa, a plasmafera, assim como a ionosfera, fica
mais alongada devido à ação do vento solar. Esta condição faz com que
os sinais com caminhamentos oblíquos em relação ao norte magnético,
fiquem mais conturbados ou inexistentes. Isto explica o porque,
durante os contestes em que ocorrem variações súbitas do índice K, a
propagação para a Europa fecha, enquanto que os sinais para a costa
Leste dos EUA continuam firmes, ao passo que os da costa oeste ficam
mais prejudicados.
Reflexão
A expressão correta é
refração e não reflexão, como costuma-se ouvir. A onda
eletromagnética, representada por um vetor, sofre refração na
ionosfera, isto é vai "dobrando" à medida em que aumentam os níveis de
elétrons soltos das camadas altas, fazendo sucessivas "dobras" até que
o vetor retorne em direção à Terra. Contudo, para facilitar o
entendimento, será usado neste texto a expressão reflexão, mesmo não
sendo correta.
Entende-se por
circuito o caminho percorrido pela onda entre a estação transmissora e
receptora.
Se uma onda for
emitida, na vertical, em direção à ionosfera onde situa-se uma região
com N elétrons por metro cúbico, a onda será devolvida para a Terra e
a maior freqüência refletida, neste caso, e apenas neste caso, a onda
sofre reflexão, obedecerá a seguinte expressão: Fc = 9E6 * SQRT (N),
onde N é número de elétrons por metro cúbico, e a freqüência é
determinada em MHz, esta freqüência recebe o nome de freqüência
crítica.
Obviamente a
freqüência máxima para sinais emitidos com um determinado ângulo de
saída, será Fmax = Fc /cos Z e, obviamente a menor freqüência a ser
propagada será Fmin = [(9E6 * SQRT (N)] / cos z. O resultado prático
disso é que quanto menor for o ângulo de elevação dos sinais
transmitidos maior será a distância atingida após a primeira reflexão.
Isto deixa claro que quanto maior for o número de elétrons soltos,
decorrente de atividade solar mais intensa portanto, mais alta será a
maior freqüência utilizada, a assim chamada MUF, maximum usable
frequency.
Após o sinal,
representado por um vetor, atingir o topo da ionosfera e a sua
reflexão, o vetor será refletido na superfície da Terra, aqui sim, a
expressão reflexão está correta, e voltará em direção à ionosfera. Os
sucessivos saltos, são chamados de Hop ou Hops no plural. Estes hops
dão os nomes do tipo de propagação: F2F2, EF2 etc. Para entender
corretamente esta designação veja a figura.
Algumas vezes os
sinais ao anoitecer ou ao amanhecer, ficam muito fortes durante alguns
minutos, possibilitando contatos excelentes até mesmo nas bandas
baixas. Os DXers que gostam das bandas baixas ficam sempre à espera
desses sinais para conseguir falar com expedições cujos QSOs não
seriam possíveis nos horários normais, seja devido aos pile-ups ou
seja devido à própria condição de propagação das bandas baixas. Esta
situação, é conhecida como gray-line (linha cinza) ou dobra de
propagação. O conceito correto de QSO via gray-line contudo é quando o
sinal caminha pela linha cinza, isto é, acompanhando a zona de
penumbra da Terra, ou lusco-fusco.

Quando o sinal está
perpendicular à zona de gray-line o aumento dos sinais acontece devido
à dobra da propagação, como é conhecido o fenômeno entre os operadores
de banda baixa, que tanto pode acontecer devido à dobra na ponta
transmissora, na ponta receptora ou em ambas as pontas. O nome correto
deste tipo de hop (salto) ou simplesmente modalidade de propagação
recebe o nome de chordal hop, como ilustrado na figura ao lado
mostrando a dobra nas 2 pontas.
Para este tipo de
propagação, quanto maior for o ângulo de saída dos sinais, melhor será
o aproveitamento desta situação, o que explica que algumas vezes as
antenas mais próximas ao solo e menos direcionais têm rendimentos
melhores do que as antenas mais altas e com mais elementos. É a
vingança do dipolo baixo...
Obviamente quando a
dobra ocorrer em apenas uma das pontas, a componente vertical da outra
ponta é desconsiderada ou inexiste, e a componente horizontal ficará
inclinada em relação ao plano da Terra.
Angulo
de Pseudo-Brewster

Como se sabe, a onda
eletromagnética emitida pela estação transmissora é uma grandeza
vetorial cuja componente principal será o vetor preponderante no
lóbulo de irradiação mais a soma dos vetores paralelos que sejam
originários de superfícies refletoras.
Assim, em um plano
eletromagnético a onda frontal incidente no plano limite entre dois
meios dielétricos distintos, com diferentes ângulos de refração, o
ângulo de incidência que está sendo propagado de um meio para outro é
unitário quando a onda está linearmente polarizada e cujos vetores
elétricos estão paralelos ao plano de incidência. O ângulo de Brewster
é dado pela fórmula (1) constante da figura ao lado, onde n é índice
de refração do meio. E que por sua vez é definido pela fórmula (2).
Obviamente a
magnitude do coeficiente de reflexão é mínima quando o ângulo de fase
está em 90 graus. Nesta situação a onda refletida muda de sinal,
portanto quando os vetores transmitidos, via onda refletida no solo,
estiverem abaixo do ângulo de Pseudo-Brewster estes irão diminuir a
grandeza do vetor resultante e serão a este adicionados quando
estiverem acima do referido ângulo.
Desta forma as condições de solo definem
o ângulo de Pseudo-Brewster. Se estas forem pobres o sinal transmitido
será diminuído na exata proporção dos sinais que estiverem abaixo do
referido limite. Por outro lado, quando as condições de refletividade
do meio são boas os sinais são aumentados.
Para melhor ilustrar
vejamos os ângulos de Pseudo-Brewster para alguns meios mais comuns:
- Água salgada = 0,2 graus;
- Terrenos alagados = 4 graus;
- Solos ricos em ferro ou alumínio =
8 graus;
- Solos arenosos e secos = 15 graus;
- Zona urbana ou industrial = 30
graus.
Girofrequência
Os elétrons soltos na ionosfera não
ficam espalhados desordenadamente, eles ficam alinhados segundo as
equações de Maxwell, isto é, a ionosfera fica "penteada" e os elétrons
se movimentam no sentido das linhas de campo entre os pólos
magnéticos, do sul para norte.
Durante os períodos
de conturbação geomagnética, decorrentes da componente Bz do campo
magnético interplanetário e do vento solar, os elétrons livres na
camada F2 sofrem alterações devido à direção dessas forças fazendo com
que os elétrons tendam a escapar das linhas de força. Assim, se a
velocidade do elétron estiver perpendicular ao campo geomagnético, a
magnitude da força é obtida pelo produto da carga do elétron (e), sua
velocidade (v) e a intensidade do campo geomagnético, expressas no
sistema MKS; a direção dessa componente é perpendicular ao plano do
vetor da velocidade. Desta forma, os elétrons tendem a movimentar-se
em movimento translacional, isto é, em movimento circular ao longo da
linha de campo geomagnético com velocidade angular igual ao produto da
carga do elétron (e) pela intensidade de campo (Bz), dividido pela
massa do elétron, ou seja Va = e*Bz/m.
A magnitude da
velocidade angular é de cerca de 8,8*E+6 radianos por segundo para
valores normais, típicos, da intensidade do campo geomagnético. Quando
os índice K, Bz e variações da velocidade solar apontam para variações
dos valores do campo geomagnético, o número de translações dos
elétrons em torno das linhas de campo aumentam para valores ao whiteor
de 1,4 MHz e recebem o nome de girofrequência.
Pode-se facilmente
observar que a girofrequência afeta sensivelmente a propagação dos
sinais de rádio nessas freqüências devido à absorção dos sinais que
esta promove. Assim, durante os períodos de atividade solar, a banda
de 160 metros é a mais afetada, e, dependendo da magnitude dessa
atividade, até a banda de 80 metros é bastante afetada. Já os 40
metros, não sofrem alterações devido a girofrequência.
Intensidade
dos sinais
Além das
características da estação transmissora, isto é, antena e potência,
são quatro os fatores que definem a intensidade do sinal em um dado
circuito.
- Altura e número de elétrons da
camada refletora;
- Número de hops do circuito;
- Largura da faixa do sinal
transmitido;
- Condutibilidade do solo.
Os tópicos altura e número de elétrons bem como o
número de hops de um circuito já forma devidamente abordados. Também
já foi esclarecido como a condutibilidade elétrica do solo influencia
a intensidade dos sinais, tanto nas pontas transmissora e receptora e
nos locais onde a onda "pisa" para voltar à ionosfera.
Isto explica porque
os sinais entre PY2 e o México são sempre fracos, não importando a
freqüência utilizada. Basta olhar no mapa e verificar que nesse
circuito não existe água salgada no caminho, isto é, o sinal nunca
"pisa" em água salgada.
Da mesma forma, os
sinais entre PY2 e Portugal, numa condição de propagação 2F2, pode-se
observar que no primeiro passo a onda pisa no Nordeste do Brasil e no
segundo passo, pisa no Saara para só depois chegar em Portugal. Em
ambas situações a onda "pisa" em solos secos e de baixa
condutibilidade. Observe que, em 40 metros por exemplo, a região norte
da França chega forte, assim como a Itália, mas Portugal sempre chega
fraco, a menos é claro, das estações grandes que diminuem esse efeito.
Infelizmente a
maioria dos softwares de propagação não levam em conta esta condição e
por este motivo os resultados vez por outra, não refletem exatamente a
realidade.
Largura
da Faixa
Se você opera
telegrafia, certamente já notou que os sinas nessa modalidade são
muito maiores do que em fonia. Ainda, em fonia, os sinais em AM são
mais fracos do que os em SSB. Se ainda assim tiver dúvida, verifique
que os sinais nas modalidades digitais como PSK31, são muito mas
fortes do que os de RTTY por exemplo. Isto acontece porque a relação
sinal/ruido obedece a seguinte equação: SNR = 10 * log BW + K
Onde:
BW, do inglês bandwidth, é a largura
da faixa em Hertz;
A constante K é igual
a 10 que é o número mínimo de dB que o sinal deve estar acima do
ruído. Veja que a escala de S - meter do seu rádio começa em 1 e não em
zero.
Para ilustrar veja a largura de banda dos sinais acima relacionados:
- AM: 6 khZ;
- SSB: 2,4 kHz;
- CW: 150 Hz;
- PSK31: 31 Hertz;
Cálculo
dos sinais
Considerando-se um
circuito com, digamos, 1300 km, isto é, entre São Paulo e Cuiabá como
exemplo, e tendo na estação transmissora 100 watts, um dipolo para
meia onda e que o QSO seja feito em 20 metros durante o dia, com a
propagação tipo 1F2 ou seja um único hop.
Por um momento vamos
imaginar que a estação transmissora fosse apenas um ponto e irradiasse
os sinais em todas as direções, o que representaria uma antena
isotrópica.
Nestas condições os
sinais seriam distribuídos igualmente dentro de uma esfera com 1300 km
de raio, assim o sinal em Cuiabá seria o equivalente a uma fração da
energia que estivesse "enchendo" uma esfera com esse raio. Esta fração
seria simplesmente a divisão de 100 watts pela área da esfera, o que
nos dá um valor de 4,7E-12 ou seja 0,0000000000047 watts por metro
quadrado. Contudo no meio radioamadoristico expressamos esse tipo de
valor em decibéis dB que pode ser expresso utilizando-se a sua
definição dB = 10 * log(P1/P2) ou dB = 10 * log(100/0,0000000000047)
ou como corretamente deve ser dito, uma vez que os sinais são medidos
em dBW ou watt por metro quadrado, o sinal em Cuiabá será de -113 dBW,
ou seja, 113 dB abaixo de 1 watt por metro quadrado.
Como se viu, o fato
do sinal estar negativo, -113 dB não significa que é preciso chegar no
zero para depois começar a contar, significa apenas que é um certo
número de vezes menor do que o sinal na antena transmissora.
Neste nosso exemplo,
a antena utilizada é um dipolo, que tem um ganho, em relação à antena
isotrópica de 2,1 dB o que melhora o sinal ficando então a relação em
110,9 dBW.
Ainda, neste sentido,
o cálculo inicial foi feito com antena isotrópica no espaço livre, mas
a antena está sempre mais próximo do solo, assim o dipolo, a meia-onda
de altura, terá, considerando-se a condutibilidade do solo, sinais
somados ao vetor principal, na medida em que estes tiverem seus
ângulos de irradiação superiores ao ângulo de Pseudo-Brewster. Assim,
considerando-se valores médios de condutibilidade e relacionando-os
com a antena isotrópica, um ganho adicional de cerca de 6 dB. O que
nos dá -104,9 dBW como novo valor.
Da mesma forma, no
lado receptor teremos um ganho extra de 6 dB, considerando-se o mesmo
tipo de solo, e mais 2,1 dB relativamente ao ganho do dipolo da
estação receptora. Logo teremos: S = -110,9 + 8,1 ou S = - 106,8 dBW.
O sinal, para atingir
a camada F2 deve antes passar pelas camadas D e E que irão "amortecer"
o sinal devido ao número de elétrons livres nessas camadas. Digamos
que o pedágio cobrado por essas camadas seja de aproximadamente 1,8
dB. O sinal então na ponta receptora estará em -105 dBW.
Sabe-se que o sinal
S-9 no S-meter corresponde a 50uV, para uma antena com impedância de
50 Ohms, o que corresponde a -103 dbW. Assim, o sinal recebido será S9
+ 2 dB. Caso a estação transmissora estivesse utilizando uma antena
com ganho de 8 dBi ou 8 dB em relação à antena isotrópica, uma mono
banda bem ajustada, o sinal seria 10 dB acima de S-9 ou S9+10 como
dizem os DXers.
Para facilitar o
entendimento dos sinais medidos em dBW a tabela abaixo os relaciona
com o S-meter do rádio, desde que, obviamente este esteja devidamente
aferido.
| S DBW |
W (50 Ohm) |
dBuV |
microvolts |
S Meter |
|
-43.01 |
5.00E-05 |
93.98 |
50000.000 |
S9+60 dB |
|
-53.01 |
5.00E-06 |
83.98 |
15811.388 |
S9+50 dB |
|
-63.01 |
5.00E-07 |
73.98 |
5000.000 |
S9+40 dB |
|
-73.01 |
5.00E-08 |
63.98 |
1581.139 |
S9+30 dB |
|
-83.01 |
5.00E-09 |
53.98 |
500.000 |
S9+20 dB |
|
-93.01 |
5.00E-10 |
43.98 |
158.114 |
S9+10 dB |
|
-103.01 |
5.00E-11 |
33.98 |
50.000 |
S9 |
|
-109.03 |
1.25E-11 |
27.96 |
25.000 |
S8 |
|
-115.05 |
3.13E-12 |
21.94 |
12.500 |
S7 |
|
-121.07 |
7.81E-13 |
15.92 |
6.250 |
S6 |
|
-127.09 |
1.95E-13 |
9.90 |
3.125 |
S5 |
|
-133.11 |
4.88E-14 |
3.88 |
1.563 |
S4 |
|
-139.13 |
1.22E-14 |
-2.14 |
0.781 |
S3 |
|
-145.15 |
3.05E-15 |
-8.16 |
0.391 |
S2 |
|
-151.18 |
7.63E-16 |
-14.19 |
0.195 |
S1 |
Fonte:
PY2YP